Uma Cena

Não considero essa uma das maiores animações da Pixar, nem a melhor animação do ano em questão (2009), mas há algo nessa cena que sempre me emociona. Seja a trilha do Giacchino, seja o roteiro abordando temas nada infantis com uma sensibilidade ímpar, seja no tom poético que Pete Docter e Bob Peterson conseguiram colocar na animação, enfim, há muito nessa cena que a faz tocante, única e superior a muita coisa clássica já vista no cinema. Não canso de ser atingido por ela.

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Diorama Movie Awards 2011: Top 10

10. SEI QUE VOU TE AMAR, de Elissa Down

09. A FITA BRANCA, de Michael Haneke

08. LUNAR, de Duncan Jones

07. O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, de Juan José Campanella

06. VENCER, de Marco Bellocchio

05. ONDE VIVEM OS MONSTROS, de Spike Jonze

04. A REDE SOCIAL, de David Fincher

03. MARY E MAX, de Adam Elliot

02. TROPA DE ELITE 2, de José Padilha

01. A ORIGEM, de Christopher Nolan


Uma Imagem


O Rei Leão, de Roger Allers e Rob Minkoff

Clássicos não são clássicos por acaso. Não basta ser um filme bem escrito, bem dirigido, enfim, bem executado. É preciso sobreviver a esse que é o inimigo de muitas obras aspirantes a clássicos: o tempo. Dito isso, é possível concluir que não há outro clássico dentre os filmes de animação que se encaixe mais na definição de clássico do que O Rei Leão.

Um longa que dispensa sinopses, introduções e até opiniões, a viagem de autodescobrimento do jovem Simba em O Rei Leão marcou a década de 90 e a infância de muita gente que viveu criança esse período. Não é difícil encontrar pessoas com 20 e poucos anos hoje que vez ou outra se pegue cantarolando Hakuna Matata por aí.

As animações Disney sempre possuem canções originais dignas de prêmios e O Rei Leão talvez seja a que possui o maior número delas. Não somente por “Hakuna Matata”, mas músicas como “The circle of life” e a oscarizada “Can you feel the love tonight” (respectivamente “O ciclo sem fim” e “Essa noite o amor chegou” na versão nacional) fazem dessa coletânea de canções originais uma das melhores já feitas para o cinema, bem como a trilha original épica composta pelo mestre Hans Zimmer.

A cena inicial, uma das mais marcantes da história do cinema, especialmente na parte em que acompanhamos Zazu em direção a Mufasa na pedra do reino, e a subida de Simba no momento em que assume o posto de rei não seriam a mesma coisa sem a parte sonora do longa, a mais bem executada da Disney.

Uma característica marcante nas boas animações são a qualidade e carisma dos seus personagens secundários. Aqui temos uma série deles, mas nenhum se compara à dupla Timão e Pumba. Responsáveis pela parte cômica do longa, conseguiram se tornar mais populares que o próprio Simba de tão carismáticos. Tanto que conseguiram uma série de TV só pra eles.

Foi uma ideia brilhante essa do estúdio trazer O Rei Leão para a tela grande novamente ao invés de uma nova sequência, embora o lançamento em 3D tenha sido mais uma jogada mercadológica do que qualquer outra coisa. É inevitável ver uma animação 2D do estúdio e não sentir aquela sensação boa de nostalgia. Tudo isso graças a uma série de clássicos que a Disney possui só pra ela, os intitulados Clássicos Disney que O Rei Leão faz parte, sendo a última animação a receber esse título.

Pois bem, essa é a chance de presenciar esse evento único e apreciar as mensagens passadas por O Rei Leão – que estão acima de qualquer possível mensagem subliminar – e se emocionar, rir e se emocionar de novo de uma maneira que só um clássico de verdade consegue nos fazer sentir. Um clássico não só da Disney, não só da animação, mas um clássico do cinema.


Rango, de Gore Verbinski

Rango segue a linha de boas animações que definitivamente não tem o público infantil como alvo. Embora o roteiro tenha seus problemas, como a construção dos personagens e uma sequência final clichê, seus acertos acabam por prevalecer. O próprio personagem principal meio que cai de paraquedas na trama. Sem explicações, sem origem, pouco se sabe sobre quem é Rango antes de ser Rango, apenas que era uma espécie de lagarto doméstico que adora atuar, sendo desprezado qualquer tipo de origem ou características anteriores de sua vida pré-acidente. Porém seu carisma acaba por ganhar fácil a empatia de quem assiste e fazer o foco único que o filme tem na sua jornada naquele vilarejo ser o suficiente.

A técnica na produção de Rango é algo tão bem executado que chega a passar uma sensação de nojo, que é proposital. Riquíssimo em detalhes visuais, é impossível não morrer de amores pela direção de arte dessa animação. Além de todo o conceito artístico, há uma bela fotografia, que bate de frente com muitos trabalhos vistos em filmes com cenários e elenco de verdade. E, por fim, elogiar uma trilha composta por Hans Zimmer é chover no molhado, mas é preciso. Será difícil a AMPAS não ao menos indicar essa trilha sonora excelente, que se encaixa perfeitamente com as passagens que acompanha.


Diorama Movie Awards 2011 – Parte VII (FINAL)

Filme

“Para os cinéfilos, principalmente, A Origem é um deleite. O diretor enche seu filme de referências a Matrix, Cidadão Kane – há até um Rosebud para Cillian Murphy – e 007: A Serviço Secreto de Sua Majestade. Não há como ficar indiferente, por exemplo, ao final emocionante que começa na metade do filme (!). Pense rápido em outro longa voltado para o grande público que ofereça tal desafio. Por esses e outros motivos que você ainda vai descobrir, A Origem é a mais complexa, intrigante e duradoura experiência cinematográfica do ano.” (Otávio Almeida)

“A trama de A Origem é arriscada, mas o roteiro assinado pelo próprio diretor molda uma estória complexa de uma forma tão avassaladora que durante as mais de duas horas e meia de projeção só sentimos vontade de conhecer mais de sua ideia.” (Rafael Moreira)

“A impressão que se tem, em vários momentos, é a de que estamos assistindo a uma verdadeira sinfonia em tempo real. Com Nolan sendo o maestro que orquestra imagens e sons que se complementam e vão formando um verdadeiro castelo de informações e de elementos a serem processados. E é de jogos como esses, da vontade de instigar o espectador e de colocá-lo dentro da discussão que são feitos os grandes filmes. “A Origem”, com certeza, será um deles – se já não é um deles.” (Ana Kamila)

Outros indicados: Mary e Max, Onde Vivem Os Monstros, A Rede Social e Tropa de Elite 2

Em 2010: Bastardos Inglórios

 

Diorama Movie Awards 2011 – Balanço

 

A Origem: 9 indicações, 7 vitórias (Composição, Efeitos Visuais, Trilha Sonora Original, Montagem, Roteiro Original, Direção e Filme)

Alice no País das Maravilhas: 5 indicações, 3 vitórias (Figurino, Direção de Arte e Atriz Coadjuvante)

Vencer: 2 indicações, 2 vitórias (Filme em Língua Estrangeira e Atriz)

Atração Perigosa: 1 indicação, 1 vitória (Ator Coadjuvante)

Comer, Rezar, Amar: 2 indicações, 1 vitória (Canção Original)

Eu Matei Minha Mãe: 2 indicações, 1 vitória (Fotografia)

Guerra Ao Terror: 4 indicações, 1 vitória (Sonoplastia)

Lunar: 2 indicações, 1 vitória (Ator)

Mary e Max: 3 indicações, 1 vitória (Animação)

Megamente: 2 indicações, 1 vitória (Coletânea)

Minhas Mães e Meu Pai: 4 indicações, 1 vitória (Elenco)

A Rede Social: 5 indicações, 1 vitória (Roteiro Adaptado)

Tropa de Elite 2: 8 indicações, 1 vitória (Filme Nacional)

Zumbilândia: 2 indicações, 1 vitória (Maquiagem)

Onde Vivem Os Monstros: 8 indicações

Direito de Amar: 7 indicações

4 indicações: Harry Potter e As Relíquias da Morte: Parte I e O Segredo dos Seus Olhos

3 indicações: A Fita Branca, Preciosa e Scott Pilgrim Contra O Mundo

2 indicações: Amor Sem Escalas, Como Treinar Seu Dragão, Educação, Kick-Ass, O Pequeno Nicolau, Salt, Sei Que Vou Te Amar, Toy Story 3 e Tron – O Legado

1 indicação: À Prova de Morte, Brilho de Uma Paixão, As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada Eclipse, Entre Irmãos, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, As Melhores Coisas do MundoMother, Ponyo, O Profeta, 400 Contra 1, Tudo Pode Dar Certo, O Último Mestre do Ar e Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

 

Indicados | Parte I | Parte II | Parte III | Parte IV | Parte V | Parte VI


Diorama Movie Awards 2011 – Parte VI

Atriz

Visceral. Eis aí um adjetivo perfeito para definir a performance de Giovanna Mezzogiorno em Vencer. Não conhecia o trabalho da atriz e fiquei perplexo com a forma com que ela se entregou ao papel. Uma personagem muito bem construída pelo roteiro merecia uma atuação impecável, que foi o que aconteceu. Foi uma entrega tão inteira que gerou uma das cenas mais emocionantes do cinema em 2010, aquela da sessão de Chaplin.

Outros indicados: Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai), Hye-ja Kim (Mother), Julianne Moore (Minhas Mães e Meu Pai) e Carey Mulligan (Educação)

Em 2010: Meryl Streep (Dúvida)

Ator

Numa performance tão subestimada quanto o filme, Sam Rockwell impressiona, mesmo sem nunca ter dado motivo para críticas negativas a seu respeito. Lunar é todo focado em seu personagem, deixando uma carga pesada nas costas do ator, que encarou muito bem. É o melhor momento da sua carreira e a melhor performance masculina do ano passado.

Outros indicados: Larry David (Tudo Pode Dar Certo), Colin Firth (Direito de Amar), Wagner Moura (Tropa de Elite 2) e Jeremy Renner (Guerra Ao Terror)

Em 2010: Sean Penn (Milk)

Direção

É pouco premiar Christopher Nolan “apenas” pelo roteiro de A Origem. Um dos diretores mais competentes da atualidade, ele é capaz de dar destaque aos aspectos técnicos tanto quanto ao roteiro. Ao mesmo tempo que quem assiste se encanta pela cidade se dobrando e toda a parnafenália visual do longa, vai se envolvendo com a estória criada por essa mente insana. Não é de hoje que seu trabalho consegue esse feito, mas aqui ele atinge seu ápice.

Outros indicados: Kathryn Bigelow (Guerra Ao Terror), Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos), Spike Jonze (Onde Vivem Os Monstros), José Padilha (Tropa de Elite 2)

Em 2010: Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?)