O Rei Leão, de Roger Allers e Rob Minkoff

Clássicos não são clássicos por acaso. Não basta ser um filme bem escrito, bem dirigido, enfim, bem executado. É preciso sobreviver a esse que é o inimigo de muitas obras aspirantes a clássicos: o tempo. Dito isso, é possível concluir que não há outro clássico dentre os filmes de animação que se encaixe mais na definição de clássico do que O Rei Leão.

Um longa que dispensa sinopses, introduções e até opiniões, a viagem de autodescobrimento do jovem Simba em O Rei Leão marcou a década de 90 e a infância de muita gente que viveu criança esse período. Não é difícil encontrar pessoas com 20 e poucos anos hoje que vez ou outra se pegue cantarolando Hakuna Matata por aí.

As animações Disney sempre possuem canções originais dignas de prêmios e O Rei Leão talvez seja a que possui o maior número delas. Não somente por “Hakuna Matata”, mas músicas como “The circle of life” e a oscarizada “Can you feel the love tonight” (respectivamente “O ciclo sem fim” e “Essa noite o amor chegou” na versão nacional) fazem dessa coletânea de canções originais uma das melhores já feitas para o cinema, bem como a trilha original épica composta pelo mestre Hans Zimmer.

A cena inicial, uma das mais marcantes da história do cinema, especialmente na parte em que acompanhamos Zazu em direção a Mufasa na pedra do reino, e a subida de Simba no momento em que assume o posto de rei não seriam a mesma coisa sem a parte sonora do longa, a mais bem executada da Disney.

Uma característica marcante nas boas animações são a qualidade e carisma dos seus personagens secundários. Aqui temos uma série deles, mas nenhum se compara à dupla Timão e Pumba. Responsáveis pela parte cômica do longa, conseguiram se tornar mais populares que o próprio Simba de tão carismáticos. Tanto que conseguiram uma série de TV só pra eles.

Foi uma ideia brilhante essa do estúdio trazer O Rei Leão para a tela grande novamente ao invés de uma nova sequência, embora o lançamento em 3D tenha sido mais uma jogada mercadológica do que qualquer outra coisa. É inevitável ver uma animação 2D do estúdio e não sentir aquela sensação boa de nostalgia. Tudo isso graças a uma série de clássicos que a Disney possui só pra ela, os intitulados Clássicos Disney que O Rei Leão faz parte, sendo a última animação a receber esse título.

Pois bem, essa é a chance de presenciar esse evento único e apreciar as mensagens passadas por O Rei Leão – que estão acima de qualquer possível mensagem subliminar – e se emocionar, rir e se emocionar de novo de uma maneira que só um clássico de verdade consegue nos fazer sentir. Um clássico não só da Disney, não só da animação, mas um clássico do cinema.


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Rango, de Gore Verbinski

Rango segue a linha de boas animações que definitivamente não tem o público infantil como alvo. Embora o roteiro tenha seus problemas, como a construção dos personagens e uma sequência final clichê, seus acertos acabam por prevalecer. O próprio personagem principal meio que cai de paraquedas na trama. Sem explicações, sem origem, pouco se sabe sobre quem é Rango antes de ser Rango, apenas que era uma espécie de lagarto doméstico que adora atuar, sendo desprezado qualquer tipo de origem ou características anteriores de sua vida pré-acidente. Porém seu carisma acaba por ganhar fácil a empatia de quem assiste e fazer o foco único que o filme tem na sua jornada naquele vilarejo ser o suficiente.

A técnica na produção de Rango é algo tão bem executado que chega a passar uma sensação de nojo, que é proposital. Riquíssimo em detalhes visuais, é impossível não morrer de amores pela direção de arte dessa animação. Além de todo o conceito artístico, há uma bela fotografia, que bate de frente com muitos trabalhos vistos em filmes com cenários e elenco de verdade. E, por fim, elogiar uma trilha composta por Hans Zimmer é chover no molhado, mas é preciso. Será difícil a AMPAS não ao menos indicar essa trilha sonora excelente, que se encaixa perfeitamente com as passagens que acompanha.


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