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Diorama Movie Awards 2011 – Parte III

Montagem

Um dos fatores principais para as ideias absurdas de Christopher Nolan se tornarem coerentes é o trabalho de Montagem. Todas as cenas em A Origem tinham a obrigação de estarem bem dispostas para que não complicasse ainda mais o entendimento de um roteiro tão ilúcido. É a Montagem mais difícil entre os indicados – ainda que Scott Pilgrim Contra O Mundo tenha lá seu charme nesse aspecto – e também foi a melhor executada.

Outros indicados: À Prova de Morte, A Rede Social, Scott Pilgrim Contra O Mundo e Tropa de Elite 2

Em 2010: (500) Dias Com Ela

Figurino

É muito difícil um guarda-roupas criado pela Colleen Atwood não agradar. Chicago, Sweeney Todd, Nine, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, Memórias de Uma Gueixa… São tantos títulos que podem ser citados para mostrar o quanto essa mulher é competente, tanto que nem foi surpresa ver que o Figurino de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, que conhece bem o talento de Atwood, foi a melhor característica técnica do longa. Perfeitamente encaixado no mundo recriado pelo diretor.

Outros indicados: Brilho de Uma Paixão, Direito de Amar, Educação e Onde Vivem Os Monstros

Em 2010: Coco Antes de Chanel

Maquiagem

Assustadoramente perfeita. Essa é a definição mais adequada para a Maquiagem em Zumbilândia. Basta olhar para a foto acima e tirar suas conclusões.

Outros indicados: Alice no País das Maravilhas, Harry Potter e As Relíquias da Morte: Parte I, Salt e O Segredo dos Seus Olhos

Em 2010: O Curioso Caso de Benjamin Button

Direção de Arte

Não somente pelo conceito artístico, mas também graças à harmonia que há entre Efeitos Visuais, Fotografia, Figurino e Maquiagem que Alice no País das Maravilhas possui, de longe até, a melhor Direção de Arte de 2010. Tratando-se de Tim Burton, isso já não é mais novidade.

Outros indicados: Direito de Amar, Harry Potter e As Relíquias da Morte: Parte I, Onde Vivem Os Monstros e O Pequeno Nicolau

Em 2010: Bastardos Inglórios


Estamos Juntos, de Toni Venturi

Muitos filmes, não só brasileiros, possuem essa característica de apresentar bem uma trama qualquer, mas não consegue desenvolvê-la decentemente. Foi o que aconteceu com Toni Venturi nesse seu novo longa-metragem. É perceptível que o diretor tem essa preocupação de passar certos incômodos e sensações da protagonista para o público, utilizando efeitos de câmera, fotografia e, principalmente, o som. Porém, isso de nada adianta se não há uma preocupação também com o desenvolvimento do enredo e de seus personagens, o que acaba por limitar ‘Estamos Juntos’ à mediocridade.

Somando isso a atuações mornas de Dira Paes e Leandra Leal, além de um incomodado Cauã Reymond, um artificial Lee Taylor e um apático Nazareno Casero, vemos o prometido drama complexo e profundo cair por água abaixo. Também há uma causa social que envolve os Sem-Teto que em nada acrescenta ao longa. Pelo contrário, o núcleo é tão mal trabalhado e previsível que não chega a convencer, se mostrando desnecessário para a triste evolução da personagem principal.

O desfecho é óbvio e passa longe da complexidade que o filme aparentava em seu começo. Para alguém que escreveu o roteiro de ‘Baile Perfumado’, Hilton Lacerda deixou muito a desejar. A impressão que dá é que em certo ponto do filme, o roteirista é trocado, de tão grande que é o contraste entre um ato e outro. Uma pena, pois tanto Lacerda quanto Venturi já se mostraram capazes de fazer mais que isso.


Diorama Movie Awards 2011 – Parte II

Trilha Sonora Original

Já comentei o quanto o trabalho do Hans Zimmer me agradou em 2010, mas não custa nada relembrar. A trilha sonora de A Origem é uma das melhores coisas do longa e, mesmo com outras trilhas magníficas lançadas no ano passado, considero-a a mais bem elaborada da seleção. Seja trilhando grandes cenas como “Dream is collapsing” ou até mesmo em cenas menos importantes como foi com “Mombasa”, o trabalho de composição de trilha sonora do Hans Zimmer para esse filme tem um papel bem definido no longa. Diria ainda que certos momentos não teriam o mesmo impacto se trilhadas por outras composições. Não poderia deixar de ser reconhecida.

Outros indicados: Direito de Amar, Onde Vivem Os Monstros, A Rede Social e Tron – O Legado

Em 2010: Up – Altas Aventuras

Efeitos Visuais

Poderia passar horas citando cenas que fizeram A Origem merecer também esse prêmio, mas vou me limitar a duas: a cidade se dobrando e a luta sem gravidade. Cenas memoráveis e muito bem filmadas graças à direção precisa de Christopher Nolan aliada a esse trabalho de efeitos visuais soberbo. É uma característica necessária para que se tornasse possível passar para o público as ideias do roteiro. Missão mais do que cumprida.

Outros indicados: Alice no País das Maravilhas, Harry Potter e As Relíquias da Morte: Parte I, Scott Pilgrim Contra O Mundo e O Último Mestre do Ar

Em 2010: Avatar

Fotografia

Essa é uma categoria sempre muito difícil de escolher um vencedor. São sempre trabalhos com intenções diferentes e estilos diferentes, o que acaba gerando vencedores diferentes para cada premiação. Eu Matei Minha Mãe possui um trabalho mais “artístico” do que os demais indicados, o que dá certa identidade ao longa de Xavier Dolan. É perceptível o cuidado com a fotografia nesse longa, sendo o aspecto de destaque na maioria das cenas.

Outros indicados: A Fita BrancaGuerra Ao TerrorHarry Potter e As Relíquias da Morte: Parte IOnde Vivem Os Monstros

Em 2010: Quem Quer Ser Um Milionário?


Deixe-Me Entrar, de Matt Reeves

Despindo e vestindo por várias vezes seus personagens principais da inocência infantil, o roteiro de ‘Deixe-Me Entrar’ deixa de lado toda aquela manjada vida de vampiro para tratar de outros assuntos mais interessantes. A relação criada entre as duas crianças é de invejar outros roteiros que possuem a mesma intenção. Muito disso se deve também à dupla mais que eficiente Chloe Moretz e Kodi Smit-McPhee.

Há de se pontuar ainda o respeito pela obra original por parte de Matt Reeves. Esse é o maior acerto do diretor, mas também é seu maior erro. Se por um lado ele mantém muito da obra original, o que vai deixar muitos fãs do filme sueco satisfeitos, por outro dá pouca identidade ao filme e faz pouquíssimo na adaptação do roteiro. Talvez esse seja o meio que achou de agradar a todos. Dificilmente não conseguirá, diga-se de passagem.


Namorados Para Sempre, de Derek Ciafrance

Diferente de vários clichês lançados por aí, ‘Namorados Para Sempre’ soube abordar bem a parte turbulenta de um relacionamento, entrando de cabeça numa melancolia de deixar qualquer um down após a sessão. Mérito do diretor Derek Ciafrance.

Já incrível em ‘Half Nelson’ e ‘A Garota Ideal’, Ryan Gosling mais uma vez impressiona com sua performance que não deixa seu personagem perder a identidade entre as mudanças que o roteiro propõe, se consolidando de vez nesse papel como um dos melhores atores de sua geração. Michelle Williams supera aqui seu trabalho magnífico em ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, interpretando uma personagem difícil que nas mãos de outra talvez não causasse essa mesma reação mista de ódio e admiração que causa no longa.

Vale ainda destacar o trabalho de Fotografia de Andrij Parekh. A seqüência no quarto é a que mais se destaca nesse sentido, trazendo uma iluminação bela e sombria em cenários muito bem escolhidos, atenuando a sensação incômoda que é passada com as cenas.


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