Chico Xavier, de Daniel Filho

Dirigido e produzido por Daniel Filho (Se Eu Fosse Você) e roteirizado por Marcos Bernstein (Zuzu Angel), ‘Chico Xavier’ mostra algumas passagens da vida do maior ícone do Espiritismo no Brasil, guiadas pela entrevista que o próprio deu ao programa ‘Pinga-Fogo’, da extinta TV Tupi. Ângelo Antônio, Nelson Xavier, Tony Ramos, Christiane Torloni e mais alguns nomes comuns em novelas globais estão presentes no elenco do longa.

O cinema brasileiro tem certo apreço pelas cinebiografias, visto que são inúmeras de alguns anos pra cá. Depois de ‘Lula, O Filho do Brasil’, é a vez de ‘Chico Xavier’ se posicionar sob os holofotes. Tais produções quase sempre pecam pelo exagero na construção dos personagens, os tornando um tanto longe da realidade, o que torna difícil uma possível identificação com o público. No caso de ‘Chico Xavier’ não foi diferente. O médium é sempre tão calmo, tão pacato, que perde suas raízes humanas.

Com exceção de ‘Tempos de Paz’, Daniel Filho nunca trouxe nada muito notável em termos de direção para a tela grande. A direção em ‘Chico Xavier’ não chega a ser ruim ou ineficiente, mas é daquelas que sempre deixa a impressão de que poderia ser melhor. O roteiro até acerta em algumas partes, mas os personagens poderiam ter sido mais bem construídos e outros temas poderiam ter sido abordados, alguns mais polêmicos. Talvez, se isso tivesse sido feito, não seria o sucesso de bilheteria que é, mas pela qualidade às vezes é preciso arriscar um pouco, o que não acontece muito no cinema brasileiro.

O elenco é bem decente, mas nada muito notável, até devido à ausência de núcleos paralelos à história do Chico, salvo o do casal que perdeu o filho em um acidente. Ainda assim é possível encontrar bons trabalhos como o de Nelson Xavier em uma sincera interpretação e a pequena participação da Cássia Kiss. Em menor escala, Christiane Torloni, Giulia Gam e Ângelo Antônio também se destacam no elenco global.

‘Chico Xavier’ não fala de Espiritismo ou de Religião, mas sim de fé. É nisso que Daniel Filho acerta, em meio a uma série de erros. A escolha de incluir cenas reais do Chico no fim do filme também foi bastante acertada. O depoimento sobre a passagem no avião se mostrou muito melhor que a vergonha que foi a cena feita para o filme. A Montagem do longa só reforça a evolução constante no cinema do país, se tornando o melhor aspecto do filme, ainda que todo o resto do trabalho técnico seja bastante precário. Isso faz com que, após a análise de todos os pontos do filme, o saldo seja positivo.

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As Séries em Março/10

Neste post, comentarei acerca dos episódios exibidos originalmente no último mês, o que pretendo fazer mensalmente. Ao fim do post, coloco um ranking dos meus episódios favoritos do mês em questão, sendo que cada série não poderá ultrapassar um episódio na lista.

Das britânicas que assisto – Secret Diary of a Call Girl, Skins e Merlin – a única que ainda permaneço acompanhando é a história da Belle De Jour, Secret Diary of a Call Girl, um das séries mais subestimadas, na minha opinião. A terceira temporada foi a que mais possuiu artifícios cômicos, mas sem cair no ridículo e mantendo o drama de qualidade que quem assiste já está acostumado a ver. No mês de março, a série apresentou seus dois últimos episódios do terceiro ano. A season finale foi ótima, mas o destaque foi mesmo o “Episode 7”, o melhor da temporada. Skins também teve sua temporada finalizada, mas não consegui passar do episódio “JJ”. Tudo anda muito constrangedor por lá e devo ver os episódios restantes em breve só para terminar.

United States of Tara e Nurse Jackie são os retornos da Showtime. Ambas tiveram boas season premieres, se superando no episódio seguinte. “Twitter”, de Nurse Jackie, apresentou cenas bastante divertidas, tanto entre Jackie e Coop quanto no caso do pseudo-Deus. Já “Trouble Junction”, de United States of Tara, fica entre os melhores do mês fácil. Toni Collette voltou com tudo, assim como seu elenco coadjuvante, fazendo emocionar e rir como ninguém. Keir Gilchrist se destaca no segundo episódio, sendo contemplado com o roteiro que continua excelente. Outro retorno, mas da AMC, foi o de Breaking Bad. Não muito expressivo, mas ainda assim muito bom, o retorno da série mostra um Aaron Paul mais discreto e equilibrado, bem diferente do que estávamos acostumados a ver. Os conflitos entre Skyler e Walter foi o que mais agradou.

Lost apresentou um mês superior ao anterior, com um episódio que traz um dos flashbacks mais esperados da série. “Ab Aeterno” fica com sobras no topo do ranking de março. Outra série que também mostrou o melhor mês desde sua estreia foi 24 Horas. Com uma seqüência de episódios alucinantes, vimos a ótima e curta passagem do jovem-bomba Marcos, a CTU sendo atacada, uma nova traidora, além da excelente presidente Taylor, que rendeu o melhor momento da Cherry Jones este ano num discurso que envolvia as exigências dos terroristas. Por outro lado, a quase cancelada Damages teve um mês mais morno em relação aos episódios anteriores. Com sonhos cada vez mais estranhos, a temporada vai chegando ao fim.

How to Make It in America também vai terminando sua curta temporada de estreia com saldo positivo. Para mim, a melhor entre as estreantes deste ano. 30 Rock não é mais tão divertida quanto antes, mas não há aquele que não riu dos sonhos com o Kenneth. A minha animação favorita da atualidade e que pouca gente acompanha, South Park, continua com suas críticas toscas, porém originais, que divertem bastante. Neste mês tivemos em cena na animação a maconha medicinal, os best sellers mal-interpretados e o impacto que dinheiro e fama pode trazer para uma pessoa. Por fim, Modern Family apresenta seu momento mais fraco, The Big Bang Theory continua caindo aos poucos, mas sem deixar de divertir e Grey’s Anatomy mantém-se na média. Segue o Top 10:

  1. Lost – 6×09 – Ab Aeterno
  2. Secret Diary of a Call Girl – 3×07 – Episode 7
  3. United States of Tara – 2×02 – Trouble Junction
  4. 24 – 8×11 – Day 8: 2:00 a.m. – 3:00 a.m.
  5. Damages – 3×10 – Tell Me I’m Not Racist
  6. Breaking Bad – 3×02 – Caballo Sin Nombre
  7. The Big Bang Theory – 3×16 – The Excelsior Acquisition
  8. How to Make It in America – 1×06 – Good Vintage
  9. South Park – 14×02 – The Tale of Scrotie McBoogerballs
  10. 30 Rock – 4×16 – Floydz

Menções Honrosas: “Twitter”, de Nurse Jackie; “Suicide Is Painless”, de Grey’s Anatomy.

Os Piores: “Fears”, de Modern Family; “Dead Man Don’t Wear Plaid”, de Supernatural; “JJ”, de Skins.