Amor Sem Escalas, de Jason Reitman

Baseado na obra de Walter Kirn, Amor Sem Escalas é uma comédia dramática que trata de relacionamentos interpessoais, acima de tudo. Ryan Bingham (George Clooney) trabalha numa empresa que terceiriza mão de obra para demitir pessoas. O que de mais interessava ao protagonista neste trabalho é o fato de poder voar várias vezes entre as pontes aéreas dos EUA, o que foi ameaçado com a chegada de Natalie Keener (Anna Kendrick) na empresa, que sugeriu que as demissões fossem feitas por videoconferência, eliminando o gasto desnecessário com as passagens. Dirigido por Jason Reitman (Juno).

A primeira impressão que fica ao término de Amor Sem Escalas é a de que esse não é o mesmo filme que vem se destacando nas premiações. Não que o filme do Reitman seja ruim, longe disso, mas só não há motivos para tanto alarde. De fato, os diálogos são um dos melhores já vistos, mas faltou um pouco mais para que esse fosse “o filme do Oscar”. Jason Reitman, em algumas vezes, deixou que Amor Sem Escalas andasse pelo caminho da tradicional comédia romântica blockbuster. Pouquíssimas vezes, claro, mas o suficiente para não torná-lo o que as expectativas indicavam.

O mais forte aqui é o elenco. George Clooney, Anna Kendrick e Vera Farmiga nos proporcionam ótimas atuações em cenas divertidíssimas. E é graças a eles que os diálogos desse filme são o que são. As discussões sobre relacionamentos entre eles rendem ótimos momentos, os melhores do longa. As tiradas hilárias do roteiro também não seriam tão hilárias se não fosse por eles, além de que suas caracterizações – quanto à identidade dos personagens – ficaram bastante convencíveis, especialmente da Anna Kendrick, que fez algo bem longe do MEDÍOCRE [#interna] que ela apresenta na saga Crepúsculo. Uma surpresa, pelo menos pra mim.

Trocando em miúdos, Amor Sem Escalas é a típica comédia “inteligente” que aparece nas premiações e é elogiada pelo público entendedor do assunto, mas não é digno de tanto destaque. É um ótimo filme, mas não merece a cotação mais alta.


Os 5 Guilty Pleasures da Década (Séries)

Nesse post, listarei os meus 5 guilty pleasures favoritos da TV. Sem mais delongas:

5º) The 4400 (2004)

A história das 4400 pessoas que desapareceram repentinamente e certo dia retornam com superpoderes reuniu um grupo de fãs fiéis que fizeram de tudo para que não fosse cancelada, e não é por menos. The 4400 pode não ser uma série digna de prêmios, mas cumpre seu papel como série e envolve a quem assiste. Depois da ótima e curta temporada de estréia, outras três foram produzidas antes que a série saísse do ar. Não tão boas quanto a primeira, as demais temporadas conseguiram dar uma boa continuidade à série, apesar de seus altos e baixos.

Cancelada na quarta temporada.

4º) Skins (2007)

A série britânica que mostra a vida de um jovem grupo de amigos foi um impacto forte para quem esperava mais uma série teen. Com cenas de sexo e consumo de drogas “pesadas”, Skins em muito lembra o filme Ken Park por sua forma diferente de mostrar o mundo jovem. Se não fosse pela sua terceira e ridícula temporada, certamente estaria em primeiro nessa lista. Apesar de curtas, as duas primeiras temporadas são excelentes e não pode deixar de ser assistida por quem diz ser fã de séries. Inclusive, foi daqui que saiu o Dev Patel, protagonista do oscarizado Quem Quer Ser Um Milionário?.

Em exibição (quarta temporada).

3º) Dirty Sexy Money (2007)

O que menos se enquadra na definição “guilty pleasure” da lista, Dirty Sexy Money mostra o dia-a-dia de luxo da família Darling, uma família rica e famosa que esconde um mistério que envolve a morte de seu ex-advogado e pai do protagonista Nick George (Peter Krause). Nick aceita trabalhar para a família e começa a descobrir os podres dos Darlings, percebendo que eles são bem piores do que aparentam. Com direito à ótima atuação de Donald Sutherland como o chefe de família dos Darlings, a série contava com ótimos momentos, mas acabou caindo de qualidade na segunda temporada, o que levou ao cancelamento.

Cancelada na segunda temporada.

2º) Jack & Bobby (2004)

A história de dois irmãos em que um deles viria a se tornar presidente tinha um tom dramático que poucas séries do gênero conseguem atingir. Os episódios eram mesclados entre cenas do dia-a-dia dos irmãos e depoimentos de pessoas que trabalharam com aquele que se tornou presidente, sem revelar quem era. Com um elenco pra ninguém botar defeito, Jack & Bobby foi uma das séries mais injustiçadas de todos os tempos, tendo sido cancelada na sua excelente temporada de estréia. O destaque maior é a Christine Lahti, perfeita em cada cena como a mãe dos garotos.

Cancelada na primeira temporada.

1º) Kyle XY (2006)

A história do menino sem umbigo permeou por três temporadas na TV, mas basta a primeira temporada para ganhar de qualquer uma dessa lista. Kyle é um jovem que é encontrado no meio da floresta, nu e sem memória. Apesar de possuir grande força e inteligência, o rapaz não sabia falar, comer ou qualquer outra atividade que todo cidadão realiza diariamente. O que mais interessa aqui não são os mistérios que rondam Kyle, e sim sua relação com sua família adotiva, que o ajudam dia após dia a viver em sociedade. Cansei de me emocionar com Kyle XY. Destaque para o protagonista Matt Dallas, uma das revelações da década.

Cancelada na terceira temporada.

Menções Honrosas: Glee, Journeyman, Kath & Kim, Supernatural, Swingtown e Terminator: The Sarah Connor Chronicles.


Amantes, de James Gray

Dirigido e roteirizado por James Gray (Caminho Sem Volta), Amantes mostra a história de Leonard, um rapaz solteiro que mora e trabalha com os pais. Após uma desilusão amorosa ele conhece duas mulheres, pelas quais acaba ficando dividido emocionalmente. Com Joaquin Phoenix (Johnny & June), Gwineth Paltrow (Shakespeare Apaixonado) e Vinessa Shaw (Os Indomáveis) no elenco.

Em um de seus melhores momentos, Joaquin Phoenix dá vida e personalidade a um personagem complicado, mas que seria apenas mais um se não fosse por um ótimo trabalho de interpretação. Percebe-se a harmonia que seu personagem tem com a da Gwineth Paltrow, outra ótima no elenco do longa. Sendo favorecidos pelo roteiro acima da média, o casal nos entrega ótimas cenas, em especial uma que acontece em cima do prédio, que é, de longe, a melhor de todo o filme.

A direção não inova, não traz nada de original, mas faz seu trabalho de forma decente. Vale lembrar que James Gray já trabalhou antes com Phoenix, no medíocre Os Donos da Noite. Ainda que a direção não seja grande coisa, o roteiro e o elenco fazem de Amantes uma ótima sessão.


Apostas para o Globo de Ouro 2010

A 67ª edição do Golden Globe Awards acontece no próximo domingo às 22hs (horário de Brasília), sob apresentação de Ricky Gervais. Neste post, deixo meus palpites sobre os vencedores nas 25 categorias da premiação. Abaixo está a lista de indicados, com minha aposta em negrito e, em itálico, aqueles que considero como alternativa.

CINEMA

MELHOR FILME [DRAMA]
Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa
Amor Sem Escalas

MELHOR FILME [MUSICAL ou COMÉDIA]
(500) Dias Com Ela
Se Beber, Não Case
Simplesmente Complicado
Julie & Julia
Nine

MELHOR ATRIZ [DRAMA]
Emily Blunt (The Young Victoria)
Sandra Bullock (O Lado Cego)
Helen Mirren (The Last Station)
Carey Mulligan (Educação)
Gabourey ‘Gabby’ Sidibe (Preciosa)

MELHOR ATRIZ [MUSICAL ou COMÉDIA]
Sandra Bullock (A Proposta)
Marion Cotillard (Nine)
Julia Roberts (Duplicidade)
Meryl Streep (Simplesmente Complicado)
Meryl Streep (Julie & Julia)

MELHOR ATOR [DRAMA]
Jeff Bridges (Crazy Heart)
George Clooney (Amor Sem Escalas)
Colin Firth (A Single Man)
Morgan Freeman (Invictus)
Tobey Maguire (Entre Irmãos)

MELHOR ATOR [MUSICAL ou COMÉDIA]
Matt Damon (O Desinformante)
Daniel Day-Lewis (Nine)
Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes)
Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela)
Michael Stuhlbarg (Um Homem Sério)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Tá Chovendo Hamburguer
Coraline
O Fantástico Sr. Raposo
A Princesa e o Sapo
Up

MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
Abraços Partidos
A Fita Branca
The Maid
Un prophète
Baarìa – A Porta do Vento

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Penélope Cruz (Nine)
Vera Farmiga (Amor Sem Escalas)
Anna Kendrick (Amor Sem Escalas)
Mo’Nique (Preciosa)
Julianne Moore (A Single Man)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Matt Damon (Invictus)
Woody Harrelson (The Messenger)
Christopher Plummer (The Last Station)
Stanley Tucci (Um Olhar No Paraíso)
Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)

MELHOR DIRETOR
Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)
James Cameron (Avatar)
Clint Eastwood (Invictus)
Jason Reitman (Amor Sem Escalas)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)

MELHOR ROTEIRO
Neill Blomkamp, Terri Tatchell (Distrito 9)
Mark Boal (Guerra ao Terror)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)
Nancy Meyers (Simplesmente Complicado)
Jason Reitman, Sheldon Turner (Amor Sem Escalas)

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Marvin Hamlisch (O Desinformante)
Michael Giacchino (Up)
Carter Burwell, Karen Orzolek (Onde vivem os Monstros)
James Horner (Avatar)
Abel Korzeniowski (A Single Man)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
The Weary Kind (Crazy Heart)
(I Want To) Come Home (Everybody’s Fine)
Cinema Italiano (Nine)
Winter (Entre Irmãos)
I See You (Avatar)


TV

MELHOR SÉRIE [DRAMA]
Big Love
Dexter
House
Mad Men
True Blood

MELHOR SÉRIE [MUSICAL ou COMÉDIA]
Entourage
Glee
The Office
Modern Family
30 Rock

MELHOR ATRIZ [DRAMA]
Glenn Close (Damages)
January Jones (Mad Men)
Julianna Margulies (The Good Wife)
Anna Paquin (True Blood)
Kyra Sedgwick (The Closer)

MELHOR ATRIZ [MUSICAL ou COMÉDIA]
Toni Collette (United States of Tara)
Courteney Cox (Cougar Town)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Tina Fey (30 Rock)
Lea Michele (Glee)

MELHOR ATOR [DRAMA]
Simon Baker (The Mentalist)
Michael C. Hall (Dexter)
Jon Hamm (Mad Men)
Hugh Laurie (House)
Bill Paxton (Big Love)

MELHOR ATOR [MUSICAL ou COMÉDIA]
Alec Baldwin (30 Rock)
Steve Carell (The Office)
David Duchovny (Californication)
Thomas Jane (Hung)
Matthew Morrison (Glee)

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME
Georgia O’Keeffe
Grey Gardens
Into the Storm
Little Dorrit
Taking Chance

MELHOR ATRIZ DE MINISSÉRIE OU FILME
Joan Allen (Georgia O’Keeffe)
Drew Barrymore (Grey Gardens)
Jessica Lange (Grey Gardens)
Anna Paquin (The Courageous Heart of Irena Sendler)
Sigourney Weaver (Prayers for Bobby)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME
Rose Byrne (Damages)
Jane Adams (Hung)
Jane Lynch (Glee)
Janet McTeer (Into the Storm)
Chloë Sevigny (Big Love)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME
Kevin Bacon (Taking Chance)
Kenneth Branagh (Wallander)
Brendan Gleeson (Into the Storm)
Jeremy Irons (Georgia O’Keeffe)
Chiwetel Ejiofor (Endgame)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME
Michael Emerson (Lost)
Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother)
William Hurt (Damages)
John Lithgow (Dexter)
Jeremy Piven (Entourage)


Os 10 Melhores Momentos Musicais em Glee

O guilty pleasure – se é que ainda pode ser chamado assim – mais amado da temporada, Glee, vem fazendo um grande sucesso entre público e crítica, principalmente graças a seus excelentes números musicais. Acredito eu que são esses números que diferenciam Glee de muitos High School Musicals por aí. Para este post, elaborei uma lista com meus 10 momentos musicais favoritos interpretados pelo elenco na série (por este motivo não pode ser encontrado o “Single Ladies” do Kurt, por exemplo). Vamos a ela (nos links inseridos é possível ouvir a versão do elenco):

I’ll Stand By You (The Pretenders) – Finn (Cory Monteith), em Ballad

Take a Bow (Rihanna) – Rachel (Lea Michelle), em Showmance

Bust Yor Windows (Jazmine Sullivan) – Mercedes (Amber Riley), em Acafellas

True Collors (Cyndi Lauper) – Tina (Jenna Ushkowitz), em Hairography

Alone (Heart) – April (Kristin Chenoweth) & Will (Matthew Morrison), em The Rhodes Not Taken

Push It (Salt N Pepa) – New Directions, em Showmance

It’s My Life (Bon Jovi) / Confessions (Usher) – New Directions Boys, em Vitamin D

Defying Gravity (Wicked) – Kurt (Chris Colfer) & Rachel (Lea Michelle), em Wheels

Maybe This Time (Cabaret) – April (Kristin Chenoweth) & Rachel (Lea Michelle), em The Rhodes Not Taken

Smile (Charles Chaplin) – New Directions, em Mattress

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Menções Honrosas: Don’t Stop Believing, em Pilot; Mercy, em Acafellas; Hate On Me, em Throwdown; Imagine, em Hairography e Don’t Rain On My Parade, em Sectionals.


A Garota Ideal, de Craig Gillespie

A Garota IdealChegando com dois anos de atraso ao Brasil, a comédia dramática ‘A Garota Ideal’ mostra a história de Lars Lindstorm (Ryan Gosling), um rapaz estranho e solitário que mora na casa vizinha onde seu irmão vive com a esposa grávida (respectivamente, Paul Schneider e Emily Mortimer), que tentam se aproximar ao máximo de Lars, mas são impedidos pela timidez do rapaz. A situação piora quando Lars decide comprar uma espécie de boneca inflável pela internet, com quem começa a viver um relacionamento conjugal acreditando ser de verdade. Dirigido por Craig Gillespie, com roteiro original de Nancy Oliver.

É até uma pena que um filme tão bom tenha passado despercebido pela maioria dos cinéfilos quando, há dois anos, aparecia na lista de indicados a Melhor Roteiro Original na 80ª edição do Academy Awards entre Junos e Ratatouilles um filme sem título nacional, o tal ‘Lars and The Real Girl’. Uma pena mesmo, já que Nancy Oliver merecia tanto quanto Diablo Cody a estatueta naquele ano. O roteiro é tão brilhante que nunca uma boneca para fins sexuais foi tão humana e tão necessária para um filme.

O melhor do roteiro é a criação do personagem principal, que graças a Deus foi entregue a um ator que soube interpretá-lo de forma excelente, o subestimado Ryan Gosling, merecedor de qualquer elogio por este trabalho. Já indicado ao Oscar por ‘Half Nelson’, o ator mostrou neste filme muito mais do que era esperado dele. De um equilíbrio que espanta, Gosling fez com que Lars não caísse no ridículo, transformado o que poderia ser caricato num personagem mais real possível.

E se é para falar de elenco, jamais Emily Mortimer pode ser esquecida. A atriz, que já possui várias atuações decentes na carreira, entrega o seu melhor, se tornando a melhor coadjuvante do longa, o que deveria ter lhe rendido uma indicação no Oscar daquele ano, sem dúvidas. Em menor escala, Patricia Clarkson também merece destaque pelo seu ótimo trabalho como a psicóloga Dagmar. Percebe-se no elenco que ninguém desperdiça seu momento em cena, mesmo mínimo, e esse é mais um ponto positivo para o filme.

O bom trabalho de direção de Craig Gillespie – auxiliado pelo roteiro, claro – fez com que um início morno se tornasse um grande filme. ‘A Garota Ideal’ faz com que quem assista, ao término da sessão, reflita bastante e não há como não relacionar as dificuldades de Lars com as síndromes e altruísmos que vem crescendo cada vez mais na atualidade. Gillespie já começou com o pé direito na carreira de diretor, desviando sua comédia do caminho da indústria do entretenimento e a aproximando daquilo que ainda define o cinema como arte.


(Re)Começo

Após dois anos de Cineastro, alguns meses de Humano Ciano e tentativas falhas de criar um blog em sociedade, resolvi retomar minhas rédeas blogueiras com um blog próprio. Apesar de ainda postar pro Conquistadores, esse aqui será meu canto principal. Desde já, desejo-me boa sorte e sejam bem-vindos!